Sinto-me estranha, por vezes pareço não mais sentir a dor...talvez já a sentira demais...
Não é frieza, esse sentimento é alheio a mim, é algo que me mantém forte, intacta, consciente.
As vezes imagino ser possuída desse sentimento, consigo rir, mas não chorar...consigo prosseguir, mas porque...serei eu tão ruim por isso? Será que o direito de viver, me deu o direito de fingir que a dor não está lá?
A dor está presente, forte e por vezes incipiente ...atormentadora
Não consigo mais chorar pela dor, não mais...
Chego a pensar que seja esperança, mas no fim da tarde muito de mim se entrega ao desespero...a saudade daquilo que não perdi...
Então, não é esperança...é algo mais
Algo que me mantém de pé, erguida...
Sinto-me feliz por estar viva, mais que isso me sinto um novo alguém...algo dentro de mim cresceu, ressurgiu das cinzas que me cobria...
Antes era carvão, agora sou diamante, meu brilho se encandeia, encanta...anjos ao meu redor anunciam: “A dor que você sentia só existe onde não há fé”
Descobri!
E então era Deus...Movendo-se no meu peito a ponto de explodir entre meus dentes, trazendo significado ao que era incompreendido...Torno-me feliz por tê-lo ao meu lado, pareço por vezes não viver em mim... é de tal beleza que fico paralisada.
E não mais me invado de perguntas a Deus, apenas vivo ouvindo as respostas...elas não me vêem por conversas entre eu e Ele...Elas me vêem pelas falas dos amigos, dos abraços calorosos, dos acertos incompreendidos, de gestos carinhosos sem sentido, daqueles que mal vejo, mal os sinto... é surpreendente o movimento que Ele provoca ao meu redor, movendo as pedras dentro das pessoas até mim.
Atiro-me perdidamente aos seus braços e entrego apaixonada a minha vida... não mais vivo pela dor, mas pela fé que há em mim.
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